Valor Econômico31 de jul.
Cabos submarinos favorecem operações internacionais
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Resumo
Brasil possui 14 cabos submarinos de fibra óptica responsáveis por 90% da transmissão internacional de dados, com Fortaleza consolidada como principal hub fora do Sudeste pela proximidade equidistante de Europa, América do Norte e África, atraindo mais de US$ 2 bilhões em investimentos privados em seu ecossistema tecnológico.
O Brasil tem 14 cabos submarinos ligando o país ao exterior, somando mais de 160 mil quilômetros - o suficiente para dar mais de quatro voltas completas ao redor da Terra na Linha do Equador. Somam-se a eles mais dois exclusivamente domésticos. Ancorados na costa brasileira, esses cabos de fibra óptica respondem por cerca de 90% da transmissão internacional de dados, funcionando como grandes rodovias digitais no fundo do oceano. O primeiro foi inaugurado em 1996, o Brazilian Festoon, da Embratel, até hoje em funcionamento com 2.500 km e com o maior irrigação de cidades brasileiras, 14, de Natal ao Rio de Janeiro.
Os cabos que chegam ao país formam um emaranhado de linhas que “espetam” vários pontos e cidades ao longo da costa brasileira e se concentram principalmente em Praia Grande (SP), Rio de Janeiro e, sobretudo, Fortaleza, que se consolidou como o principal hub fora do Sudeste, com aportes privados em seu ecossistema de mais de US$ 2 bilhões. Desses pontos seguem conexões para América do Norte, Europa e África.
“Fortaleza tem características geográficas únicas devido à proximidade dos continentes europeu, América do Norte e África, estando praticamente à mesma distância, cerca de 6 mil quilômetros”, afirma Rafael Lozano, CEO da TelCables, operadora dos cabos SACS (Fortaleza-Angola) e Monet (São Paulo-Fortaleza-Miami). A empresa trabalha um menu que vai além, para infraestrutura colocando serviço IP, IP trânsito, soluções de cibersegurança, Cloud e, claro, data centers.
“É o paradoxo do ovo e da galinha: os cabos seguem os data centers ou os data centers seguem os cabos?”, diz Lozano, sobre esse ecossistema que traz investimento em vários setores tecnológicos.
É justamente a partir dessa relação que o Brasil consolida sua posição como principal hub digital da América Latina. Segundo a IDC, o mercado brasileiro de infraestrutura em nuvem (IaaS) deve atingir US$ 4,4 bilhões em 2026. O país concentra 48% da capacidade instalada de data centers da região e 71% da infraestrutura atualmente em construção.
“A conectividade com cabos submarinos torna os data centers mais atraentes para empresas que precisam operar internacionalmente, criando um efeito de rede para os negócios”, afirma Eduardo Pereira, diretor de engenharia de conectividade da Ascenty.
“Embora um cabo submarino possa operar independentemente de um data center, os projetos mais recentes buscam integrar essas infraestruturas para reduzir latência, aumentar a eficiência operacional e aproximar o processamento de dados dos usuários finais”, afirma Felipe Campos, CEO da V.tal, empresa controlada por fundos de investimento geridos pelo BTG Pactual
A companhia opera mais de 26 mil quilômetros de cabos submarinos conectados a uma rede terrestre superior a 450 mil quilômetros de fibra óptica e aos data centers da Tecto, empresa do mesmo grupo.
Em 2021, entrou em operação o cabo Malbec, de 2.800 quilômetros, ligando Rio de Janeiro, São Paulo e Argentina. Em parceria com a Meta, o sistema ganhará uma extensão até Porto Alegre em 2027.
“Ao trazer o primeiro cabo submarino internacional direto para o Rio Grande do Sul, estamos criando um novo hub de conectividade e que trará mais desenvolvimento para a região e para o Cone Sul”, afirma Campos.
Segundo Ana Luiza Valadares, diretora da Meta para a América Latina, o projeto ajudará a acelerar a digitalização, reduzir custos e melhorar serviços para milhões de usuários.
A Meta também lidera o projeto Waterworth, previsto para entrar em operação em 2030. Com cerca de 50 mil quilômetros, deverá ser o maior cabo submarino do mundo, conectando cinco continentes, incluindo o Brasil.
Hoje, o maior fluxo de tráfego de dados no Brasil é para os Estados Unidos, onde encontram-se as maiores empresas de tecnologia e de inteligência artificial, como Meta, Anthropic, Nvidia, Google, OpenAI e SpaceX.
O Google, uma dessas gigantes, ampliou presença na infraestrutura brasileira por meio dos cabos Júnior (RJ-SP), Tannat (Santos-Uruguai), Monet (Flórida-Fortaleza-Santos) e Firmina (EUA-Argentina com estações de pouso em Praia Grande/SP), além de desenvolver uma rota ligando a América Latina à Austrália pelo Pacífico. “Os cabos aumentam a eficiência da banda larga, tornando a conexão mais estável e com menor latência”, informa a divisão Google Cloud.