Fórum dos Leitores
Resumo
Carta de leitor no fórum discute desafios fiscais do Brasil, com dívida pública crescente, despesas reais em dois dígitos e déficit público mesmo com receita tributária recorde, alertando que candidatos presidenciais para 2026 não apresentam propostas convincentes para enfrentar o problema.
Eleições 2026
Estelionato eleitoral
Os desafios fiscais do Brasil estão postos, a dívida pública não para de subir e o governo central vê a despesa total crescer a dois dígitos em termos reais, proporcionando déficit público mesmo num cenário de receita tributária recorde. As consequências vemos nos mercados de juros: as taxas nominais precificam pouca queda de Selic para os próximos anos, enquanto as taxas reais de longo prazo estão nas máximas de muitos anos. Apesar disso, os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência, Lula e Flávio, não apresentam respostas ou propostas convincentes para atacar esses problemas. Numa eleição tão polarizada, é praticamente um tiro no pé falar de ajuste fiscal. A consequência é que o vencedor incorrerá em estelionato eleitoral, visto o tamanho do problema fiscal. Lula, o favorito hoje, não conseguirá empurrar o problema com a barriga. Se nada for feito numa possível reeleição, corre-se o risco de iniciar uma crise de confiança mais severa. Flávio, se eleito, na mesma direção deverá fazer um ajuste fiscal. O eleitor precisa estar ciente desse problema.
Guilherme M. Stipp
Curitiba
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Promessa de eleição
Depois de tanto tempo no poder, Lula diz que pretende mudar muita coisa no País. Diz não querer mais o “Lulinha Paz e Amor”, mas o “Lulinha Porreta”, disposto a fazer aquilo que, segundo ele mesmo, ainda não foi feito. A justificativa é de que o básico já estaria garantido e que chegou a hora de o Brasil dar um “salto de qualidade”. Inevitável perguntar: por que só agora? Como bem observou editorial deste jornal (4/8, A3), Lula domina como poucos a arte de engabelar. Reinventa o discurso, troca os slogans e procura apresentar como novo aquilo que por anos esteve ao alcance do seu próprio governo. Surpreende ouvir de um de seus assessores que, depois de décadas estimulando o consumo como motor da economia, o governo agora pretende promover o ajuste fiscal por meio de incentivo à poupança de longo prazo. É uma mudança de discurso típica de eleição, que afronta a inteligência alheia. Se ainda assim Lula vencer, certamente não será graças ao “Lulinha Porreta”, nem pela promessa tardia de uma nova política econômica. Será, em boa medida, porque parcela expressiva do eleitorado nutre profunda rejeição ao bolsonarismo.
Deri Lemos Maia
Araçatuba
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Educação
As metas do Ideb
A propósito da reportagem País registra avanço no Ibeb, mas ainda sem bater as metas de 2021 (6/8, A16 e A17), os anos iniciais são a base da construção de todo o conhecimento que vem depois. Se a base é deficiente, não há futuro. Simples assim. Se temos escolas públicas com bons resultados, o que impede de termos o mesmo nas demais? Uma boa questão para refletir e agir. Progressão continuada não resolve, apenas posterga o problema. Cinco anos se passaram. A ausência de metas cumpridas seria inimaginável num país com governantes minimamente comprometidos com a redução da pobreza e da desigualdade social.
Carlos Roberto Teixeira Netto
Rio de Janeiro
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IA nas escolas
A entrevista com Marcelo Gleiser sobre os riscos da inteligência artificial (7/8, B8) traz uma reflexão importante. As crianças de hoje praticamente nascem inseridas no mundo digital. Desde muito cedo convivem com celulares, vídeos, aplicativos, mecanismos de busca e, cada vez mais, com ferramentas de inteligência artificial. Diante dessa realidade, podemos continuar ensinando da mesma forma que ensinávamos quando o acesso à informação era completamente diferente? A memória e o conhecimento básico continuam sendo importantes. O que precisa mudar é a forma de ensino ainda muito baseada em decorar conteúdos para, depois, reproduzi-los numa prova. Hoje, tão importante quanto ter conhecimento é saber onde e como buscar uma informação, pesquisar, comparar diferentes fontes, identificar erros e, principalmente, compreender o que foi encontrado. É nesse ponto que a escola passa a ter um papel ainda mais importante. A IA não deve substituir o professor nem o raciocínio do aluno. Deve ser utilizada como ferramenta de apoio à aprendizagem. Já deveríamos, portanto, estar discutindo a inclusão, desde o ensino fundamental, de uma formação voltada à compreensão e ao uso responsável da IA. O mundo mudou. As crianças mudaram. As ferramentas mudaram. A maneira de ensinar precisa acompanhar essa mudança.
Gabriele Di Giulio
São Roque
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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br
RELAÇÕES ENTRE OS PODERES
Lula e Alcolumbre se reúnem em jantar promovido por Moraes após mais de 3 meses de distanciamento (Estadão, 5/8). O vergonhoso rega-bofe promovido por Alexandre de Moraes em sua residência, que reuniu o chefe do Executivo, Lula da Silva, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstra que as relações entre os Poderes da República extrapolam o que deveria ser meramente institucional e aponta, de maneira inequívoca, para o lado em que Moraes estará nas próximas eleições presidenciais.
Maurílio Polizello Junior
Ribeirão Preto
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CONFIANÇA DA SOCIEDADE
O conflito entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça revela um problema que vai além desse inquérito. Quando investigadores e Judiciário passam a divergir sobre a condução de uma investigação, quem perde é a confiança da sociedade. O cidadão acompanha operações, quebras de sigilo, disputas de competência e sucessivos impasses, mas raramente vê a conclusão dos casos com a mesma intensidade das manchetes que anunciam seu início. Controles institucionais são indispensáveis, mas precisam fortalecer – e não enfraquecer – a credibilidade das instituições. Afinal, a pior porta trancada não é a do processo. É a da confiança do cidadão.
Luciana Lins
Campinas
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MEMÓRIA CURTA
Em relação à nota dos superintendentes da Polícia Federal, não me lembro de nenhuma manifestação dos zelosos superintendentes acerca das condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Sem esquecer a célebre degustação de whisky e charutos, em 2024, em Londres, paga por Daniel Vorcaro ao custo de R$ 3,2 milhões, com a presença de ambos e também do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Alguém se lembra?
Milton Cordova Junior
Vicente Pires (DF)
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PLANO A
O Brasil da impunidade, da corrupção, da insegurança jurídica, dos penduricalhos e da economia fragilizada – com dívida equivalente a 80% do PIB – será a herança deixada por Lula ao presidente eleito em 2026. Seja quem for o eleito, inclusive o próprio Lula, terá de agir com sobriedade, emagrecendo a onerosa e ineficiente máquina pública, reduzindo despesas e rezando para que a situação não se agrave ainda mais com as intempéries naturais. Não existe plano B.
Humberto Schuwartz Soares
Vila Velha (ES)
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DIPLOMACIA
O governo americano indicou Daniel Perez para o cargo de embaixador dos EUA no Brasil sem respeitar os trâmites usuais da diplomacia. Portanto, essa indicação deve ser rejeitada. O Brasil deve flexionar seus músculos se quiser deixar de ser intimidado o tempo todo pelo atual governo americano. Fortalecer a parceria com a China, os demais membros dos Brics, a União Europeia e o Mercosul é uma maneira de mostrar que o País não está sozinho e pode, sim, causar muitos estragos comerciais caso resolva retaliar os desaforos que estão sendo impostos por Washington.
Mário Barilá Filho
São Paulo
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PRAGAS SILENCIOSAS
O Brasil enfrenta, neste momento, duas pragas silenciosas que avançam sobre o orçamento das famílias e, cedo ou tarde, acabam sendo pagas por toda a sociedade: as bets e a precarização do trabalho no transporte por aplicativos. As apostas online foram vendidas como entretenimento, mas, para uma parcela crescente da população, transformaram-se em uma máquina de endividamento. O dinheiro que deveria pagar alimentação, aluguel, contas domésticas e necessidades básicas passa a alimentar a esperança de um ganho fácil que, na prática, frequentemente termina em perdas. A conta chega depois – em forma de dívidas, inadimplência, conflitos familiares e deterioração da qualidade de vida. No outro extremo está a explosão do transporte por aplicativos, especialmente entre os motoboys. O serviço atende a uma necessidade real das cidades, mas não se pode ignorar o seu lado perverso: jornadas extensas, exposição permanente a acidentes, trânsito, violência, intempéries e pressão por produtividade. Quando esses trabalhadores sofrem acidentes ou desenvolvem incapacidades, o problema deixa de ser exclusivamente individual. Afastamentos, benefícios previdenciários, tratamentos, reabilitação e futuras aposentadorias por incapacidade representam custos para o sistema público. E há ainda uma consequência pouco discutida: quando o motoboy perde a capacidade de trabalhar, toda a renda familiar pode despencar. É preciso, portanto, abandonar a ilusão de que toda ocupação contabilizada como emprego representa trabalho digno e sustentável. Uma economia que aumenta a quantidade de trabalhadores, mas também aumenta o número de pessoas endividadas, acidentadas ou incapacitadas, está apenas transferindo o problema para o futuro. Bets e trabalho precarizado têm algo em comum: ambos podem transformar vulnerabilidade econômica em negócio. De um lado, vende-se a promessa de enriquecimento rápido; de outro, a promessa de autonomia e flexibilidade. No fim, frequentemente sobra para o trabalhador a conta – e para o Estado, o custo. O Brasil precisa discutir não apenas quanto essas atividades movimentam, mas quanto elas custam à sociedade. Porque o faturamento privado não pode significar socialização dos prejuízos.
Oswaldo Jesus Motta
Rio de Janeiro
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RELAÇÃO DE TRABALHO
Toda relação de trabalho precisa de regras. Sem elas, o mais forte tende a impor sua vontade. Mas proteger o trabalhador não significa transformar toda relação em um conflito permanente entre patrão e empregado. Quando a Justiça deixa de buscar o equilíbrio e passa a agir de forma excessivamente paternalista, acaba criando insegurança tanto para quem produz quanto para quem trabalha. Não existe emprego sem empresa, assim como não existe empresa sem trabalhadores. Colocar um lado sempre como vítima e o outro sempre como culpado não fortalece a Justiça; apenas alimenta um ambiente de desconfiança. Quem perde é o mercado de trabalho, que se torna menos dinâmico e mais burocrático. O verdadeiro desafio é encontrar o equilíbrio. Direitos precisam ser preservados, mas sem esquecer que riqueza, empregos e oportunidades não surgem por decreto. Uma Justiça forte não é aquela que protege apenas uma das partes, mas aquela que garante regras claras, previsíveis e justas para todos.
Gabriel Lossapio
Sumaré
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SETOR ELÉTRICO
A ampliação do mercado livre de energia representa importante passo para a modernização do setor elétrico brasileiro. A mudança permitirá, gradualmente, que consumidores escolham seus fornecedores, estimulando a concorrência e criando condições para preços mais competitivos. Agora, porém, caberá ao governo regulamentar a nova legislação com responsabilidade, critérios técnicos e segurança. Uma reforma dessa dimensão não pode provocar desequilíbrios no sistema nem simplesmente transferir custos de um grupo de consumidores para outro. A redução do preço da energia é estratégica para o desenvolvimento nacional. Indústrias, comércio e prestadores de serviços convivem com elevados custos energéticos, que pesam sobre a produção, os investimentos e, consequentemente, sobre os preços pagos pela população. Em determinadas situações, empresas chegam a transferir operações para outros países em busca de custos mais competitivos. A abertura do mercado poderá favorecer empresas e investidores, estimular novos empreendimentos e fortalecer a livre concorrência. Também poderá ampliar a utilização de fontes renováveis, como solar e eólica. O Brasil precisa transformar essa oportunidade em benefício concreto. Com regulamentação responsável e fiscalização eficiente, energia mais barata e competitiva poderá significar maior produção, investimentos, empregos e desenvolvimento para toda a sociedade.
Dirceu Cardoso Gonçalves
São Paulo
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CRIME ORGANIZADO
A cada dia, uma nova investigação revela o avanço do crime organizado. Agora, descobre-se que o Comando Vermelho usava um clube e uma pousada para lavar dinheiro. Ontem eram bocas de fumo. Hoje são empresas, imóveis e negócios aparentemente legítimos. O próprio presidente da República já reconheceu que o crime organizado se infiltrou em diferentes esferas do poder público. Se o diagnóstico é esse, por que as respostas continuam tão tímidas? Enquanto o cidadão vive atrás de muros e câmeras, autoridades circulam protegidas por esquemas de segurança. Talvez por isso a urgência da violência seja diferente para quem faz as leis. O crime organizado já entendeu que poder também se conquista com dinheiro, influência e infiltração. Enquanto o Estado hesita e o Congresso patina, as facções avançam. A pergunta é inevitável: o Estado ainda enfrenta o crime organizado ou já está apenas tentando conviver com ele?
Izabel Avallone
São Paulo
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VIOLÊNCIA
Maranguape é a cidade mais violenta do Brasil, com 100 mortes por 100 mil habitantes. É para fazer Chico Anysio, o maior humorista do País, chorar.
Roberto Solano
Rio de Janeiro
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HISTÓRIA HUMANA
A escravidão existiu em muitas épocas, por milênios, mas a modernidade não apenas a herdou: ampliou-a, sistematizou-a e a integrou, de modo bárbaro, a uma nova ordem, com novos mercados, Estados e teorias raciais. O simples passar do tempo, portanto, não purifica por si só. Uma sociedade pode avançar revolucionariamente em ciência, técnica e administração e, ao mesmo tempo, regredir moralmente. A história humana não é uma estrada ordenada e ascendente; é um campo de escolhas, conflitos e responsabilidades. Mas a própria escravidão, naturalizada durante séculos, também foi posteriormente abolida e criminalizada. E essa ruptura é uma das maiores revoluções morais da humanidade: quem antes era tratado como propriedade passou a ser reconhecido como pessoa, dotada de dignidade. A abolição mostrou que instituições e ordenamentos antigos não são necessariamente eternos e que mesmo as injustiças mais tradicionais podem se tornar politicamente intoleráveis. A escravidão desmente a crença no progresso automático, e a abolição desmente qualquer fatalismo. Entre a escravidão milenar e a moderna abolição está exatamente a ação humana. A história realmente pode piorar, porque os homens reorganizam a barbárie; mas também pode melhorar, porque a humanidade tem o poder de aprender a reconhecer o intolerável, romper com o vício herdado e reconstruir o mundo de modo mais democrático. A ordem e o progresso, inscritos na bandeira brasileira, não são destino: são conquistas.
Wellington Anselmo Martins
Bauru
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DIA DOS PAIS
Neste domingo, é comemorado o Dia dos Pais, uma data muito especial. Por isso, não deixe de parabenizar o herói da sua vida. Parabéns a todos os pais!
José Ribamar Pinheiro Filho
Brasília